sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Raro

Linda, tranquila, o sossego, raro, misturava-se com uma certa melancolia, e, desta vez, uma absoluta indiferença, que se podia confundir com uma estranha confiança, dedicava-se, com uma calma anormal a fazer coisas simples, tão raro, talvez por isso a dedicação, o desprendimento, a indiferença, não lhe importava o tempo a passar, apenas o que fazia, tão simples, tão importante o silêncio, um sentimento de superioridade, sentia-se em cima de um pedestal que tinha construído, do qual desceria, mais tarde ou mais cedo, mas que importava, merecia, nem que a descida tardasse poucos minutos, sabia bem, conseguia antecipar ao detalhe, coisa rara, tudo o que tinha que fazer, coisas tão simples, nem era preciso pensar, coisa rara, alguém a observava, há muito tempo, muito ao longe, ela não tinha imaginado, quanto mais reparado, continuava apenas a sentir uma calma rara, a respirar, coisa simples, sem se cansar, quase parada só reparou quando ele se sentou tão perto que era impossível escapar, os seus olhos mexeram-se naquela direcção para ver o que a interrompia, sentiu uma irritação, não era justo, eram raros aqueles seus momentos, mas os lábios distenderam-se assim que encontrou o claridade de uns olhos escuros, nunca tinha encontrado nada tão negro e profundo, a sua tranquilidade não se foi, aumentou, sabia tudo o que iria fazer, ao detalhe, coisas tão simples que não cansavam, raras e cheias de sentido, espontâneas, sem pensar fez tudo o que sabia que tinha que fazer, sem nunca o ter pensado, sequer imaginado, tudo tão simples, afinal o paraíso estava tão perto, talvez dentro dela em cima do pedestal...

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